Formas Farmacêuticas Sólidas

Um princípio ativo ou mais precisam ser misturados com vários outras substâncias (excipientes ou veículos) para se transformar em medicamento. No final de sua preparação, o medicamento toma uma forma chamada “forma farmacêutica”.
Podem existir várias formas farmacêuticas de um determinado princípio ativo. Os motivos são:

  • Facilitar a ingestão do princípio ativo
  • Garantir a precisão da dose.
  • Proteger o princípio ativo durante o caminho pelo organismo.
  • Garantir a presença no local de ação.

 

Influenciam na escolha da forma farmacêutica:

  • Diferentes locais de absorção e aplicação.
  • Velocidade de ação (imediata, retardada ou controlada).
  • Tipos de paciente (adulto, infantil, idoso, diabético e etc).

 

Cuidados na administração oral de formas farmacêuticas sólidas
As formas farmacêuticas sólidas para administração oral são mais bem-administradas pela sua colocação sobre a língua e deglutição com o auxílio de um copo d´água.
Alguns pacientes conseguem engolir um comprimido ou cápsula sem beber água, mas pode ser perigoso devido à possibilidade do medicamento alojar-se no esôfago, podendo desencadear ulceração esofagiana, em especial quando os medicamentos são tomados antes de dormir.

 

COMPRIMIDOS

São formas farmacêuticas sólidas contendo um ou mais princípios ativos com ou sem excipientes, obtidas por compressão da mistura de pós. Os comprimidos podem variar em tamanho, forma, peso, dureza, espessura, características de desintegração e outros aspectos, dependendo do uso a que se destinam e do método de fabricação. Podendo ou não ter revestimentos especiais.


Os comprimidos podem ser revestidos por inúmeros motivos:

  • Proteção do princípio ativo contra a exposição destrutiva ao ar ou a umidade.
  • Mascarar o sabor do princípio ativo quando deglutido.
  • Proporcionar características especiais de liberação do princípio ativo.
  • Melhorar a estética e proporcionar peculiaridades distintas ao produto.
  • Reduzir o desconforto gástrico causado pelo princípio ativo que costumam irritar o estômago.
  • Facilitar o trânsito gastrintestinal de princípios ativos que são melhores absorvidos no intestino.

COMPRIMIDOS REVESTIDOS – São revestidos por uma ou mais camadas de revestimento, destinadas a proteger o princípio ativo do ar ou umidade, para mascarar odor e sabor desagradável e ainda para melhorar a aparência dos comprimidos.
Ex.: Aradois 50 mg comprimidos revestidos

 

 

COMPRIMIDOS COM REVESTIMENTO ENTÉRICO – Apresentam características de liberação retardada. Eles são desenvolvidos de modo a passarem intactos através do estômago e alcançarem o intestino, onde se desintegram para permitir a dissolução e absorção e/ou efeito terapêutico do princípio ativo.
Os revestimentos entéricos são empregados quando a substância ativa é destruída pelo suco gástrico e é particularmente irritante à mucosa.
Ex.: Profenid Entérico 100 mg

 

COMPRIMIDOS MASTIGÁVEIS – São comprimidos que se desintegram rapidamente pela mastigação, são especialmente úteis para administração em crianças e adultos com dificuldades de deglutir (engolir).
Ex.: Noripurum fólico comprimido mastigável


 

COMPRIMIDOS EFERVESCENTES – são preparados por meio da compactação de sais efervescentes granulados que liberam dióxido de carbono quando em contato com a água.
Ex.: Cebion 1g comprimidos efervescentes

 

 

COMPRIMIDOS DE DISSOLUÇÃO OU DESINTEGRAÇÃO INSTANTÂNEA (ORODISPERSÍVEL) – Os comprimidos de liberação instantânea são caracterizados pela desintegração ou dissolução na boca. Destinam-se geralmente a crianças e idosos ou outros pacientes que apresentam dificuldade de deglutir (engolir) formas farmacêuticas sólidas.         
Ex.: Remeron Soltab 30mg comprimidos orodispersíveis

 

COMPRIMIDOS SUBLINGUAIS – Destinados a ser dissolvidos embaixo da língua, para que ocorra a absorção do princípio ativo pela mucosa oral. Eles permitem a absorção oral de princípios ativos que são destruídos pelo suco gástrico e/ou fracamente absorvidos no trato gastrintestinal.
Ex.: Deocil comprimidos sublinguais.


 

COMPRIMIDOS DE LIBERAÇÃO PROLONGADA – São desenvolvidos para liberar o princípio ativo de modo predeterminado, durante um período de tempo prolongado.

A administração de várias doses é inconveniente ao paciente e pode resultar um esquecimento ou interrupção do tratamento. Os comprimidos de liberação prolongado são normalmente tomados apenas uma ou duas vezes ao dia para a obtenção do mesmo efeito terapêutico das formas farmacêuticas convencionais, que devem ser tomadas 3 ou 4 vezes ao dia. Com menor frequência de administração, o paciente fica menos suscetível a esquecer uma dose, também há maior conveniência em relação a administração diurna ou noturna.
Ex.: Wellbutrin XL 300 mg comprimidos de liberação prolongado

 

COMPRIMIDOS REVESTIDOS DE LIBERAÇÃO RETARDADA –             Tipo de liberação modificada de formas farmacêuticas que apresenta uma liberação retardada do princípio ativo. A liberação retardada é obtida por meio de um desenho de formulação especial e/ou método de fabricação. As preparações gastro-resistentes são consideradas formas de liberação retardada, pois são destinadas a resistir ao fluido gástrico e liberar o princípio ativo no fluido intestinal.
Ex.: Akineton 4 mg comprimidos revestidos retard

 

COMPRIMIDOS DISPERSÍVEIS OU SOLÚVEIS – Comprimido que quando em contato com um líquido, rapidamente produz uma dispersão homogênea. É destinado a ser disperso em água antes da administração.
Ex.: Feldene comprimidos solúveis


 

 

COMPRIMIDOS OROS – um núcleo contendo o princípio ativo é circundado por uma membrana semipermeável que é perfurada por um pequeno orifício. Após a ingestão, a água presente no trato digestivo entra para o interior do comprimido por osmose. Quando a água penetra no núcleo do comprimido, o princípio ativo é gradualmente dissolvido. A solução é empurrada para fora através do pequeno orifício, numa velocidade controlada carreando o princípio ativo.
Ex.: Adalat OROS

 

COMPRIMIDOS MULTICAMADAS – Comprimidos compostos por duas ou mais camadas de composição diferente. As camadas podem ser concêntricas (um comprimido dentro do outro) ou paralelas.
Ex.: Coristina D – Vimovo

COMPRIMIDOS TAMPONADOS – Comprimido revestido por uma película protetora de hidróxido de alumínio ou hidróxido de magnésio, permitindo a utilização deste medicamento por pessoas que tenham problemas estomacais, como gastrite ou úlcera.
Ex.: Somalgim Cardio 100 mg

 

COMPRIMIDOS VAGINAIS - Formas farmacêuticas sólidas aplicadas profundamente na vagina com auxílio de aplicadores, dissolvidas com o calor do corpo.
Ex.: Gino-canesten 1

 

PASTILHAS – Formas farmacêuticas sólidas destinadas a se dissolverem ou desintegrarem lentamente na boca, preparadas por compressão ou moldagem, podendo conter açúcar ou não. Geralmente são utilizadas para

auxiliar no tratamento da tosse, sintomas do resfriado ou problemas secundários de garganta.
Ex.: Flogoral pastilhas


 

DRÁGEAS – Formas farmacêuticas sólidas cujo núcleo é um comprimido, que passou por um processo de revestimento com açúcar e corante, processo denominado drageamento. Este processo pode ser realizado por uma necessidade de proteger o princípio ativo da luz e umidade, para ocultar odores e sabores indesejáveis, facilitar sua ingestão ou proteger o princípio ativo da destruição estomacal, onde sua absorção será a nível intestinal.

 

CÁPSULAS

Formas farmacêuticas sólidas onde os princípios ativos são colocados em um invólucro podendo ser duros ou moles, dependendo de sua composição, podendo conter substâncias sólidas, pastosas ou líquidas.
Os invólucros das cápsulas podem ser transparentes, incolores (brancas) ou coloridas.
Os invólucros são produzidos em diversos tamanhos de acordo com a quantidade de material a ser encapsulado. Características de algumas cápsulas:

  • CÁPSULA GELATINOSA DURA – Cápsula que consiste de duas seções cilíndricas pré-fabricadas (corpo e tampa) que se encaixam e cujas extremidades são arredondadas. São tipicamente preenchidas com princípios ativos e excipientes na forma sólida.

 

  • CÁPSULA GELATINOSA DURA DE LIBERAÇÃO PROLONGADA - Possui o tipo de liberação modificada, permitindo pelo menos uma redução na frequência de dose quando comparado com o medicamento apresentado na forma de liberação imediata. É obtida através de um desenho de formulação especial e/ou método de fabricação.

 

  • CÁPSULA GELATINOSA DURA DE LIBERAÇÃO RETARDADA – Possui o tipo de liberação modificada, apresentando uma liberação retardada do princípio ativo. A liberação retardada é obtida através de um desenho de formulação especial e/ou método de fabricação. As preparações gastro-resistentes são consideradas formas de liberação retardada, pois são destinadas a resistir ao fluido gástrico e liberar o princípio ativo no fluido intestinal.
  • CÁPSULA GELATINOSA MOLE – Cápsula constituída de um invólucro de gelatina, de vários formatos, mais maleável que das cápsulas duras. Normalmente são preenchidas com conteúdos líquidos ou semissólidos, mas podem ser preenchidas também com pós e outros sólidos secos.

 

 

 

  • CÁPSULA GELATINOSA MOLE DE LIBERAÇÃO PROLONGADA – Possui o tipo de liberação modificada, permitindo pelo menos uma redução na frequência de dose quando comparado com o medicamento apresentado na forma de liberação imediata. É obtida através de um desenho de formulação especial e/ou método de fabricação.

 

  • CÁPSULA GELATINOSA MOLE DE LIBERAÇÃO RETARDADA – Possui o tipo de liberação modificada, apresentando uma liberação retardada do princípio ativo. A liberação retardada é obtida através de um desenho de formulação especial e/ou método de fabricação. As preparações gastro-resistentes são consideradas formas de liberação retardada, pois são destinadas a resistir ao fluido gástrico e liberar o princípio ativo no fluido intestinal.
  • CÁPSULAS VAGINAIS – Cápsula muito parecida com as cápsulas moles, usualmente ovóides, lisas e com uma aparência externa uniforme. Destinada à administração na vagina.

Ex.: Colpotrofine cápsulas vaginais

 

  • CÁPSULAS PARA INALAÇÃO – Cápsula para uso em inaladores especiais. A inalação é realizada através da administração do princípio ativo pela via respiratória nasal ou oral para efeito local ou sistêmico.

 

  • Ex.: Foraseq cápsulas para inalação

 

SUPOSITÓRIOS

Preparações farmacêuticas sólidas destinadas à aplicação no reto, sendo dissolvidas com a temperatura corporal. Pode ter efeito local (laxativos) ou efeito sistêmico.
Ex.: Supositório de glicerina, Voltaren supositório


ÓVULOS

São preparações farmacêuticas sólidas para aplicação vaginal, são dissolvidos com a temperatura corporal.
Ex.: Fentizol óvulo


 

GLÓBULOS

Formas farmacêuticas sólidas constituídas de princípio ativo e lactose. São formas utilizadas para preparações de medicamentos homeopáticos em farmácia de manipulação.
Ex.: Weleda Erysidoron 1 glóbulos

 

PÓS

Misturas de princípios ativos e excipientes finamente divididos, obtidos por pulverização destas substâncias. Podem ser divididos em pós para administração oral, pós-efervescentes, pós para aplicação tópica ou pós para injetáveis.
Ex.: Anaseptil pó (uso tópico).

 

GRANULADOS

Conjunto de grânulos preparados a partir de pequenas partículas de pó. Os grânulos possuem formatos irregulares, mas podem ser preparados na forma esférica. São, em regra, constituídos por substâncias medicamentosas associadas com excipientes, cujo conjunto tem aspecto homogêneo.
Ex.: Fluimucil granulados

 

GOMAS DE MASCAR

Forma farmacêutica sólida de dose única contendo um ou mais princípios ativos, que consiste de material plástico insolúvel, doce e saboroso. Quando mastigada, libera o princípio ativo na cavidade oral. Destinada à administração pela boca. Não deve ser deglutida.
Ex.: Nicorette goma de mascar


 

SABONETES – forma farmacêutica sólida com forma variável dependendo do molde de obtenção, destinadas à aplicação na pele. Os sabonetes também podem ser comercializados na forma líquida. Podem ter ação de limpeza, adstringente ou ação medicamentosa.
Ex.: Escabin sabonete


 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

    • ALLEN, Jr Loyd; POPOVICH,  Nichola; ANSEL, Howard. Formas farmacêuticas e sistemas de liberação de fármacos. 8. ed. Artmed, 2007.
    • GILMAN, Alfred Goodman. As bases farmacológicas da terapêutica. 10. ed. McGraw-Hill, 2004.
    • DEF – Dicionário de especialidades farmacêuticas.EPUC, 2012.
    • ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br. Acesso em 10 abril 2013.